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EaD e preconceito

Há alguns anos, numa entrevista concedida no Brasil, Rory McGreal, vice-presidente da Athabasca University (Canadá), respondeu desta forma à pergunta "Há algum tipo de preconceito em relação à EAD no Canadá?"

Muito pouco. Havia, mas, especialmente, desde que a internet se popularizou, todas as universidades estão usando o e-learning de alguma forma. Qualquer forma de preconceito está desaparecendo rapidamente. Aliás, entre empregadores, há uma preferência por quem tenha aprendido em e-learning.

E por cá? Que opinião terão as pessoas sobre o elearning, em especial aquelas que nunca frequentaram ensino a distância?

No Canadá, mercado dá preferência aos formados a distância - Gabriel Carneiro
Numa parceria entre a Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed) e o Consulado do Canadá, o educador Rory McGreal, vice-presidente e pesquisador da Athabasca University, veio ao Brasil para uma série de palestras sobre o desenvolvimento da EAD. A primeira palestra ocorreu no Consulado, em São Paulo, na última quarta-feira, dia 10. Em entrevista à FOLHA DIRIGIDA, Rory McGreal falou do panorama da EAD no Canadá, país onde, no lugar de sofrer preconceitos, a modalidade é valorizada pelo mercado de trabalho. O educador falou ainda do problema da falta de centralização na educação de lá, e sobre alguns cursos inusitados da instituição em que atua.

Qual o cenário da Educação a Distância no Canadá?
O Canadá é dividido em 10 províncias independentes, como se fossem países, e estamos tentando superar isso. A Universidade de Athabasca é a única universidade aberta no Canadá, e temos alunos em todas as províncias. Temos por volta de 40 mil estudantes e grande oferta de cursos. Somos os principais líderes, parte da Universidade Virtual do Canadá, uma associação de 12 universidades canadenses, que compartilham créditos, trabalham juntos para trazer alunos de vários lugares do país. Trabalhamos com pessoas de regiões muito remotas, do extremo norte, que têm uma pequena população lá, e os servimos em pequenas cidades e vilas. Cada vez mais temos usado a tecnologia. Todos nossos cursos, agora, são online, e a maioria das universidades no Canadá, inclusive as tradicionais, está usando o e-learning de alguma forma.

É possível traçar algum paralelo com a EAD no Brasil?
É difícil, porque, pelo que entendo, falando com o pessoal da Abed, o Brasil é altamente centralizado e nós somos altamente descentralizados. Nós temos exatamente os problemas opostos a vocês, que têm problemas de fortes regulamentções do governo central. Nós gostaríamos um pouco de mais regulamentações do governo central, porque cada província está seguindo seu caminho, e falta um pouco de coordenação federal. O Canadá é o único país do mundo sem uma autoridade nacional de educação. Não é, portanto, comparável ao Brasil. São ambientes diferentes. Vocês deveriam ser um pouco mais como nós e nós deveríamos ser um pouco mais como vocês. Deveria se balancear esses dois pólos.

Há algum projeto para centralizar a educação no Canadá?
Não, nenhum. Estamos insistindo nisso com autoridades. Não queremos uma completa centralização, mas gostaríamos de que alguém coordenasse. Mas não está nos planos.

O MEC investiu pesadamente na UAB (Universidade Aberta do Brasil). Como vê o projeto?
No fim da minha viagem – estou aqui por três semanas -, provavelmente saberei muito mais a respeito. Estou aqui para palestrar, mas também para aprender sobre o país. Estou a par apenas de algumas regulamentações, como o fato de ser um curso semi-presencial. Não há nenhuma pesquisa que comprove que as aulas presenciais são superiores à EAD. Aliás, a maioria das pesquisas indicam o contrário. Não há motivos para acreditar na necessidade desse tipo de aula, ou para haver regras. Não sei aonde o governo tem encontrado esse tipo de pesquisa que apoie suas regulamentações.

É possível pensar em algum modelo de cooperação ou de troca de experiências entre Brasil e Canadá no campo da EAD?
Sim. É uma das razões de eu estar aqui. A principal barreira é a língua. Não sabemos português no Canadá, e os brasileiros precisariam aprender o inglês ou o francês, antes de qualquer troca. Talvez no nível da graduação, quando os estudantes sabem o inglês ou o francês, isso seja uma possibilidade.

Há algum tipo de preconceito em relação à EAD no Canadá?
Muito pouco. Havia, mas, especialmente, desde que a internet se popularizou, todas as universidades estão usando o e-learning de alguma forma. Qualquer forma de preconceito está desaparecendo rapidamente. Aliás, entre empregadores, há uma preferência por quem tenha aprendido em e-learning.

Entre os cursos da Athabasca, existem alguns curiosos, como Indigenous Studies (Estudos Indígenas) e Women’s Studies (Estudos da mulher), que não existem no Brasil. Qual o propósito de tais cursos?
>Mudar a atitude tradicional das pessoas a respeito de aborígenas e outros povos indígenas e em relação às mulheres. Trazer as pesquisas para a realidade. Tivemos gerações criadas para pensar que a história do mundo foi feita por grandes homens brancos. E as mulheres dizem: “Não, nós estivemos lá também”. E os índigenas: “Nós estávamos aqui antes de vocês chegarem, vocês não descobriram esse país”. Por isso acho que são cursos importantes.

É fácil inserir-se no mercado de trabalho sendo graduado ou pós-graduado em EAD, nesse tipo de curso?
Seja nos Estudos indígenas ou nos da mulher, ou História, os empregadores estão satifestos em contratá-los. Eles têm diferentes qualidades do tradicional estudante de administração. Nosso país é comandado por graduados em artes. Então, algo deve estar sendo feito corretamente. (risos)

Fonte: http://elearninghoje.blogspot.com/2011/01/ead-e-preconceito.html

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